Alepa realiza Sessão Solene em homenagem aos 50 anos da FACOM
A Assembleia Legislativa do Pará realizou uma Sessão Solene em homenagem aos 50 anos Faculdade de Comunicação da Universidade Federal do Pará. Um curso importante pra história do Pará, da Amazônia e que, ao longo dessas 5 décadas, formou profissionais que levam informação e registram os acontecimentos do nosso Estado, com a formação adequada e ética para uma comunicação de qualidade no Norte do Brasil.
O deputado Dirceu Ten Caten foi quem solicitou e presidiu esse momento. Acompanhe o discurso da Profa. Dra. Marina Ramos Neves de Castro, diretora da Faculdade de Comunicação da UFPA:
Excelentíssimo Senhor Deputado Estadual Dirceu Ten Caten, Senhoras e Senhores Deputados, Magnífica Reitoria da Universidade Federal do Pará, colegas docentes, técnicos e técnicas, estudantes, egressos e egressas, amigas e amigos da Faculdade de Comunicação, Bom dia!
Inicio esta fala agradecendo profundamente ao Deputado Dirceu Ten Caten pela proposição desta Sessão Especial em homenagem aos 50 anos da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal do Pará, a primeira do Norte, a primeira e a maior da Amazônia Brasileira.
Recebemos esta homenagem não apenas como um gesto institucional, mas como um reconhecimento público da importância histórica, social, cultural e política da comunicação produzida na Amazônia.
Celebrar os 50 anos da FACOM é celebrar meio século de formação crítica, de compromisso com a educação pública, de produção de conhecimento e de defesa da democracia. É reconhecer que a comunicação, em nosso território, nunca foi apenas técnica; Ela sempre foi também escuta, mediação, sensibilidade, disputa de narrativas, política e compromisso com a vida amazônica.
Ao longo dessas cinco décadas, a FACOM ajudou a formar jornalistas, publicitários, pesquisadores, radialistas, produtores culturais, artistas, assessores, documentaristas, professores e comunicadores que atuam em diferentes regiões do Pará, da Amazônia e do Brasil. Pessoas que passaram por nossas salas de aula, por nossos corredores, laboratórios e projetos de pesquisa e extensão, levando consigo não apenas um diploma, mas uma forma de olhar o mundo e de compreender a responsabilidade ética da comunicação.
A história da FACOM se entrelaça com a própria história recente do Pará e do Brasil. Nossa faculdade nasceu em um dos períodos mais difíceis da vida político-social brasileira: a Ditadura Militar. Surgiu em meio às tensões de um tempo marcado pela censura, pelo silenciamento e pelas restrições à liberdade de expressão. E, talvez por isso mesmo tenha aprendido, desde cedo, a compreender a comunicação como espaço fundamental de pensamento crítico, de resistência e de defesa da democracia. Ao longo dessas cinco décadas, a FACOM sofreu profundas transformações tecnológicas e culturais, além de sucessivas disputas em torno do papel da comunicação e da Universidade Pública. E, ainda assim, permanece de pé.
Permaneceu, porque foi construída coletivamente.
A FACOM não existe isolada dos problemas do mundo. Ela nasce e se desenvolve dentro da Amazônia, convivendo diariamente com as tensões, desigualdades e potências desta região. Por isso, pensar comunicação a partir do Pará é também pensar rios, periferias, ilhas, quilombos, aldeias, feiras, ocupações urbanas, culturas populares, territorialidades, disputas ambientais e modos de vida historicamente invisibilizados.
A FACOM aprendeu, ao longo do tempo, que comunicar na Amazônia exige sensibilidade para ouvir aquilo que muitas vezes o país não escuta. Exige compreender que a Amazônia não é apenas paisagem. A Amazônia é uma diversidade sociocultural. É memória, linguagem, conflito. Resistência e imaginação social. E, talvez, uma das maiores contribuições da nossa faculdade tenha sido justamente essa: formar profissionais capazes de narrar a Amazônia a partir dela mesma, rompendo estereótipos, questionando simplificações e produzindo outras formas de visibilidade para nossa região.
Nesses cinquenta anos, a FACOM acompanhou as transformações tecnológicas da comunicação. Vimos o rádio se reinventar, a televisão se transformar, o jornalismo migrar para os ambientes digitais e as redes sociais alterarem a experiência contemporânea.
Chegar aos 50 anos significa olhar para trás com orgulho, mas também olhar para frente com coragem. A FACOM vive hoje o desafio de se reinventar diante das novas linguagens, das transformações digitais, da inteligência artificial, das mudanças nas práticas de consumo de informação e das novas dinâmicas culturais da juventude. E nós temos plena consciência de que a Universidade precisa acompanhar essas mudanças sem abrir mão de seus princípios fundamentais.
Precisamos defender a Universidade Pública como espaço de produção de pensamento livre. Porque uma sociedade que enfraquece suas Universidades, enfraquece também sua capacidade de imaginar futuros.
A FACOM chega aos seus 50 anos reafirmando seu compromisso com a Amazônia, com a democracia e com a educação pública. Num país marcado por tantas desigualdades, manter viva uma instituição pública de formação crítica por cinco décadas é resultado de resistência coletiva. Por isto, esta homenagem pertence a muitas mãos.
Pertence aos que vieram antes de nós e ajudaram a construir esta história, deixando marcas profundas na formação da comunicação no Pará e na Amazônia. E, neste momento, fazemos uma homenagem especial ao professor Otacílio Amaral Filho, ao professor Manoel de Sena Dutra e à professora Juana Bertha Loayza, trajetórias que se confundem com a própria consolidação da FACOM e com a defesa incansável da Universidade Pública, do pensamento crítico e da comunicação comprometida com a sociedade. Pertence também aos que hoje sustentam cotidianamente a faculdade; aos estudantes que continuam acreditando na educação pública; às comunidades com as quais a FACOM dialoga; e à sociedade paraense, que também é parte fundamental desta história.
Hoje, nesta Assembleia Legislativa, celebramos não apenas uma instituição universitária. Celebramos uma trajetória de luta. Celebramos a potência da comunicação produzida na Amazônia. Celebramos a defesa do pensamento crítico. Celebramos a educação pública como instrumento de transformação social. E que, os próximos cinquenta anos encontrem a FACOM ainda mais forte, mais plural, mais democrática e mais conectada com os desafios do nosso tempo.
Que continuemos formando profissionais capazes de escutar o mundo, interpretar a realidade e disputar narrativas em defesa da vida, da justiça social e da dignidade humana. Porque comunicar, sobretudo na Amazônia, nunca foi apenas transmitir informações.
Comunicar é construir presença. É criar pertencimento. É tornar visíveis vidas, memórias e experiências. É afirmar que nenhum povo deve permanecer em silêncio.
Vida longa à Faculdade de Comunicação da Universidade Federal do Pará. Vida longa à Universidade Pública. Vida longa à Amazônia.
Muito obrigada.
Veja como foi: https://www.instagram.com/reel/DY45zOHido3/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=MzRlODBiNWFlZA==