Projetos de Pesquisa
Hermenêutica e Comunicação: estudos das sociabilidades e da mídia na Amazônia
Coordenação: Profa. Dra. Alda Cristina Costa
O projeto investiga as interfaces entre Hermenêutica e Comunicação, partindo do pressuposto de que o ato comunicativo é, fundamentalmente, um fenômeno interpretativo e ontológico. Sob a égide da fenomenologia-hermenêutica de Paul Ricoeur, compreendemos a comunicação como o "enigma" (Ricoeur, 2019) que permite a superação da não comunicabilidade da experiência vivida através da busca pela "fusão de horizontes", de Gadamer. O objetivo central é sistematizar as convergências teóricas entre a hermenêutica e os processos midiáticos na Amazônia, analisando como as narrativas da mídia configuram as sociabilidades e as identidades. A metodologia estrutura-se no Arco Hermenêutico, articulando a dialética entre a explicação (mapeamento e análise do ecossistema midiático paraense) e a compreensão (aplicação da técnica autoral da Entrevista Hermenêutica em Comunicação). A pesquisa busca apreender os sentidos que os sujeitos atribuem aos fenômenos da violência e da resistência no território, tratando a comunicação como um direito humano e um exercício ético.
Mídia e Violência: sentidos e significados na Amazônia
Coordenação: Profa. Dra. Alda Cristina Costa
Integra um conjunto de investigações que busca compreender como se constituem as sociabilidades entre indivíduos, mídia, instituições, objetos e lugares diante das experiências vividas com e sobre a violência na Amazônia, considerando tanto contextos urbanos e de metropolização quanto realidades rurais da região. A violência é compreendida como fenômeno social multifacetado que atravessa diferentes dimensões da vida, incluindo agressões físicas e simbólicas, conflitos territoriais, ambientais e sociais, repressões políticas ou de gênero, censuras, precarização das condições de trabalho e outras formas de imposição de força e desigualdade. O objetivo central é compreender de que modo os conflitos de violência afetam as sociabilidades comunicativas de indivíduos, coletividades, lugares e instituições amazônicas. Para isso, a pesquisa busca identificar contextos, atores e conflitos, bem como analisar as representações do eu e do outro em um cenário marcado simultaneamente por transformações e permanências.
Por uma outra política? Comunicação, percepções e ressignificações da política por jovens na Amazônia.
Coordenação: Profa. Dra. Rosaly de Seixas Brito
Partindo da tríade jovens, comunicação e política, a pesquisa aqui proposta busca compreender as formas de percepção e de intervenção política de jovens da Amazônia brasileira, com ênfase na Região Metropolitana de Belém, entrecruzadas e indissociáveis de suas práticas comunicativas, que respondem pela dimensão simbólico-expressiva da política. Com base em uma perspectiva relacional da comunicação (França, 2006; Braga, 2012) a pesquisa propõe-se a entender as dinâmicas intersubjetivas e as práticas comunicacionais por estes adotadas no trânsito entre os espaços urbanos e ambientes digitais para projetar suas visões, demandas e ações políticas. Na década passada, jovens de todo o país retomaram as ruas protagonizando movimentos diversos, sendo as chamadas Jornadas de Junho, em 2013, sem dúvida, um marco significativo, dentro de um processo amplo e global de reconfiguração do ativismo político e social (Castells, 2013; Peruzzo, 2013; Alonso, 2023; Brito, Steinbrenner e Santos, 2017). Parte desses movimentos juvenis, no entanto, foi colonizado por segmentos ultraconservadores, que passaram a ocupar a cena política brasileira e culminaram na ascensão ao poder central do país de um governo de extrema direita em 2018, em um processo de erosão da democracia que já estava em curso desde meados daquela década, levando ao impeachment da presidente Dilma Roussef (Gallego, 2018; Miguel, 2016, 2018; Mendonça, 2017, 2018, 2023). A crise recente da democracia no país favoreceu a emergência de um ambiente altamente polarizado entre os jovens, em prejuízo do debate, o que pode muitas vezes resvalou para a recusa radical do outro e a violência simbólica. Essa reconfiguração também está relacionada ao trânsito/intersecção entre ruas e redes e vice-versa, possibilitado pelas interações em ambientes virtuais para projetar suas visões, demandas e ações políticas. Como os jovens percebem a política e que valor a ela atribuem na vida social? Como veem a si mesmos como sujeitos da política e como ela incide em sua vida cotidiana? Como jovens têm ressignificado a política na Amazônia? São algumas das indagações que a pesquisa busca responder. De inspiração etnográfica (Strathern, 2017) a pesquisa tem como categorias de análise centrais a interseccionalidade (Collins, Bilge, 2021; Akotirene, 2020) e a decolonialidade (Maldonado-Torres, 2020) e baseia-se também nos estudos culturais da juventude (Martín-Barbero, 1997, 2008, 2022; Reguillo, 2000).
O projeto busca mapear a trajetória de discentes e egressos(as) de PPGs em Comunicação de regiões pouco favorecidas do país - Norte, Nordeste e Centro-oeste - para investigar condições de acesso e permanência, os desafios e as possibilidades de intervenção, atravessadas por marcadores sociais de raça e gênero. Projeto Financiado CAPES: Edital PDPG Alteridades/ Chamada 37/2022.
Consumo, Cultura Material e Agenciamentos: a comunicação entre objetos e sujeitos
Coordenação: Profa. Dra. Manuela do Corral Vieira
O ato de consumir faz parte do cotidiano das sociedades, tanto por meio de produtos e objetos materiais quanto conteúdos e ideias, o consumo atua enquanto mediador de interações entre os indivíduos e elementos tangíveis e intangíveis, por meio dos quais se pode fazer uso e absorver os significados sociais e culturais presentes no bem de consumo. Nesse sentido, os objetos de consumo possuem significados complexos, que vão além do seu caráter funcional e de seu valor comercial e econômico, e que são atribuídos e apropriados pelos indivíduos em práticas materiais, culturais e simbólicas imersas em redes de significações compartilhadas socialmente. O sujeito, por meio do consumo de um item, comunica, expressa e manifesta, intencionalmente ou não, aspectos de sua identidade, por meio de processos de reconhecimento que antecedem e perpassam o ato de consumir, configurando o consumo pelo seu caráter diverso, individual e coletivo, que propõe rituais de interação e reconfiguração do cenário social. Nessa pesquisa, compreende-se a comunicação enquanto espaço de interação com o social, um processo vivo e dinâmico. Partindo dessa perspectiva, o presente projeto de pesquisa pretende analisar o consumo e seus desdobramentos para além da materialidade, levantando reflexões a partir da comunicação estabelecida nas relações entre os indivíduos e seus processos de reconhecimento mediados pelo ato de consumir, considerando as influências que os contextos sociais e os grupos pertencentes possuem enquanto elementos direcionadores destes processos construtivos nos quais os sujeitos se expressam.
publiCIDADE(S) amazônica (s) como marca(s) de consumo midiática(s)
Coordenação: Profa. Dra. Ana Paula M. P. de Vilhena
Este projeto explora as múltiplas possibilidades midiáticas no branding, focando na criação de experiências coesas e imersivas em um contexto de convergência midiática e investiga como marcas constroem narrativas de marca que integram diferentes plataformas, as quais se referenciam e dialogam na cultura da convergência, utilizando estratégias de branding que otimizam a experiência do consumidor e acompanham as nuances da cibercultura. A partir da análise de marcas regionais do Pará, o projeto pretende analisar como elas constroem narrativas transmídia e storytelling para engajar seus consumidores. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa que envolve netnografia, entrevistas com gestores e consumidores, e análise de campanhas digitais, explorando como o storytelling e a convergência midiática criam conexões significativas com os consumidores. Além de oferecer formação prática aos discentes, o projeto busca desenvolver estratégias de branding aplicáveis ao mercado regional, promovendo a valorização das marcas locais.
Ética Profissional: a atividade publicitária em julgamento
Coordenação: Prof. Dr. Fábio Hansen
Pesquisa longitudinal realizada pelo Observatório de Publicidade e Ética no Consumo (Opetic), fruto de uma parceria interinstitucional entre UFPA, UFRGS, UFSM e UFPR, com apoio do CNPq. A pesquisa integra os esforços de mapear perspectivas sobre o estado atual da ética publicitária no mundo do trabalho publicitário, observando o comportamento de profissionais em relação à dilemas éticos no fazer publicitário, e seus resultados refletidos em apelos persuasivos de conteúdos publicitários. O objetivo da pesquisa é conhecer como as questões da ética, da moral e da legislação publicitária são problematizadas nos processos comunicativos de produção publicitária junto a profissionais - em Belém/PA, Porto Alegre/RS, Santa Maria/RS e Curitiba/PR - que fazem a mediação entre a publicidade e a sociedade. A proposta metodológica está estruturada em dois platôs: conteúdo publicitário e profissionais. O protocolo multimetodológico recorre à pesquisa bibliográfica e à pesquisa documental entrecruzadas com a pesquisa empírica aplicada por meio de Entrevista Narrativa e de Avaliação de Portfólios em conjunto com o Júri Simulado. A principal hipótese é de que a ética não é uma competência imprescindível ao exercício profissional na indústria da publicidade.
Práticas no ensino de criação publicitária
Coordenação: Prof. Dr. Fábio Hansen
Pesquisa longitudinal realizada pelo Grupo de Pesquisa Inovação no Ensino de Publicidade (IEP). Diante das complexidades e flutuações do mercado publicitário e da formação de um sujeito criativo, esta investigação possui como eixo o ensino de criação publicitária, concentrando-se nas práticas docentes em disciplinas da área de criação publicitária, tendo a sala de aula como campo de observação. O objetivo da pesquisa é analisar práticas comunicativas nas disciplinas de criação publicitária e o modo como se constitui o habitus docente, a partir dos capitais simbólico e cultural. A finalidade é identificar experiências de aprendizagem inovadoras que estabelecem rupturas com práticas institucionalizadas; considerar questões referentes à formação e à atuação docente; propor alternativas e possibilidades didáticas para o surgimento de novas propostas pedagógicas no ensino de criação publicitária.